Quem foi William Shakespeare?

William Shakespeare nasceu em 1564, em Stratford-upon-Avon, na Inglaterra, e viveu entre os séculos XVI e XVII. Além de escritor, atuou como ator e esteve diretamente ligado ao Globe Theatre, um dos principais espaços teatrais da época. Ao se estabelecer em Londres, passou a se destacar como dramaturgo, escrevendo peças que rapidamente ganharam popularidade e consolidaram seu nome no teatro inglês.

Trabalhou no Globe Theatre como copista, reescrevendo peças anônimas e escrevendo novas para serem apresentadas, ganhando cada vez mais destaque como ator e, principalmente, como dramaturgo. Até o ano de 1602, escreveu cerca de 37 peças teatrais, dois longos poemas e 154 sonetos. Entre suas obras mais conhecidas estão Macbeth (minha favorita), Hamlet, Romeu e Julieta, Sonho de uma Noite de Verão e Otelo.

Para entendermos a relevância desse personagem histórico, é necessário olhar para suas peças. Enquanto o padrão da época era adaptar histórias antigas e, em muitos casos, anônimas, William Shakespeare transformava esses materiais ao acrescentar complexidade e, sobretudo, críticas e questionamentos a comportamentos e ideias consolidadas de seu tempo. Em Romeu e Julieta, a mensagem vai além de uma simples lição moral, funcionando como uma reflexão sobre a violência e suas consequências; já em Hamlet e Macbeth, condições humanas como dúvida, ambição, culpa e outros sentimentos considerados “negativos” são exploradas, levantando a questão: até onde um ser humano desesperado é capaz de chegar?

Shakespeare prezava pela complexidade de seus personagens. Hamlet é mais do que um príncipe covarde, Macbeth não nasce mau e Otelo não é apenas violento. Eles não são unidimensionais, pois apresentam conflitos e contradições humanas; suas ações não acontecem simplesmente “porque sim”, mas são resultado de uma construção social e psicológica que influencia suas decisões ao longo da narrativa.

Além de criar histórias e personagens marcantes, Shakespeare teve um papel imprescindível para a língua inglesa. Para enriquecer seus versos, ele frequentemente inventava ou popularizava palavras e expressões. Na prática, muitas vezes registrava usos já existentes na oralidade, mas que ainda não haviam sido oficializados. Estima-se que mais de 1.700 palavras e expressões tenham sido criadas e difundidas por ele, algumas das quais se tornaram populares até no Brasil, como:

  • Break the Ice (“Quebrando o Gelo”)
  • Heart of Gold (“Coração de Ouro”)
  • Fair Play (“Jogo Justo”)
  • It’s Greek to me (“Isso é Grego para mim”)
  • Much Ado About Nothing (“Muito Barulho por Nada”)

Outro fator que contribuiu para a popularidade do dramaturgo foi o fato de suas peças não se restringirem à elite, sendo também assistidas pela classe trabalhadora. Shakespeare mesclava uma linguagem mais elaborada com humor ácido, trocadilhos e cenas populares, conseguindo dialogar com diferentes públicos e gostos, do mais erudito ao mais simples.

Agora que entendemos sua relevância em vida, surge a questão: por que ele ainda é tão relevante hoje? Como visto, sua influência sobre a linguagem já é significativa por si só, mas Shakespeare tornou-se atemporal principalmente porque suas obras abordam o tema mais universal possível: as emoções e a psicologia humana. Ambição, poder, culpa, ciúme, amor e conflitos morais continuam presentes na sociedade contemporânea, o que mantém suas histórias atuais.

Sua presença também se estende à cultura pop, com inúmeras adaptações de suas obras não apenas no cinema, mas também na literatura e na música. Exemplos clássicos incluem O Rei Leão como releitura de Hamlet, diversos filmes de romance inspirados em Romeu e Julieta e artistas que se inspiram em seus personagens, como a banda The Lumineers, com a música Ophelia, ou Taylor Swift com o recente lançamento The Fate of Ophelia.

A cultura pop carrega o legado de Shakespeare até hoje, e mesmo quem nunca leu diretamente uma de suas peças certamente já teve contato com referências, adaptações ou homenagens ao seu trabalho. Sua relevância para a sociedade ocidental é inegável, independentemente do país ou da época.

Você também pode gostar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Isa e Mari

Author picture

Somos duas amigas que compartilham de uma paixão pelas áreas da linguística e literatura, com isso, decidimos compartilhar nossos aprendizados, ideias, resenhas e outras coisas a mais…

Postagens Recentes

  • All Post
  • Acadêmicos
  • Análises
  • Autores
  • Cinematografia
  • Coletânea de Contos Natalinos
  • Educação
  • Isa
  • Linguística
  • Literatura
  • Livro vs Filme
  • Mari
  • Músicas
  • Resenhas
Edit Template

Nos deixe uma mensagem!!